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30 de jun. de 2009

Cinque Terre


Cinque Terre
A costa que vai de Gênova até a fronteira com a Toscana é chamada de Riviera di Levante, na região da Ligúria. Mar ora azul-turquesa, ora azul-esverdeado de um lado e casinhas coloridas beirando o penhasco do outro. Com águas tão claras é possível ver os cardumes de peixe.

Assim é Cinque Terre, um conjunto de cinco mínimas cidades, ou melhor, vila de pescadores, formadas por Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso dentro do Parco Nazionale delle Cinque Terre.

Não há estrada, somente trem liga essas cinco vilas. O trajeto pode ser conhecido a pé, numa trilha encantadora, de bicicleta ou a cavalo. Mas há trechos que tem que ter disposição, é um sobe e desce...

Agora que deu água na boca vou contar como foi conhecer Cinque Terre, um dos locais mais fantásticos que já conheci.


















Quando fomos para a Itália queríamos conhecer outro lugar além daqueles "obrigatórios", como Florença e Roma. Queríamos algo romântico e encantador e não menos impactante. Estávamos na dúvida se íamos para Capri, conhecer a Gruta Azul ou para Cinque Terre.

O que nos fez decidir foi ver em vários livros de viagens imperdíveis a foto de Cinque Terre na capa, além das duas brasileiras que tínhamos encontrado no dia anterior em Florença.

Cinque Terre está entre os 1000 lugares para conhecer antes de morrer, já viram esse livro? Estávamos tão perto, não podíamos perder esta oportunidade.


A metereologia não estava favorável, mas pelo windguru dava muio sol. E foi exatamente o que aconteceu, fez um sol inacreditável! Chegou a 36 graus, sem uma nuvem no céu. Perfeito!

Pegamos o trem das 9h57 na estação Santa Maria Novella em Florença até La Spezia Centrale, que chegou às 12h19 e custou 18,20 euros. Mais uma vez tivemos uma paisagem linda, passando pelas cidades de Empoli, Signa, Pisa (dá pra ver a torre bem de longe), Forte dei Marmi, Carrara (de onde vem o mármore carrara, as pedreiras são enormes e bem perto da estação), Sarzanna, Vezzano Ligure, La Spezia Miglianina (cuidado para não descer nessa!) e finalmente La Spezia Centrale.

Atenção: se você não leu os textos anteriores, não esqueça de validar o ticket do trem antes do embarque e guardá-lo para verificação do fiscal durante e a viagem. Neste trem não tem lugar marcado.

Na própria estação há um centro de informações onde você deve comprar o passe para entrada no Parque Nacional. Custa 8,50 euros e dá direito a viagens ilimitadas de trem entre os cinco vilarejos ou o trajeto a pé. Sem ele nada feito. Deve ser preenchido com seu nome e guardado, pois em cada "fronteira" é solicitado.


Via Dell'Amore
 A dica é ir com roupas leves, de preferência com roupa de banho por baixo, levar uma pequena toalha, tênis e um lanchinho para uma parada estratégica diante de tão grandiosa paisagem. Nós fizemos um piquenique na primeira e mais linda trilha, a Via Dell'Amore que liga os vilarejos de Riommagiore e Manarola.
No caminho tem uma espécie de altar com vários cadeados em volta por acreditarem que lá é um lugar mágico e o casal que conhece junto esta trilha sela seu amor para sempre. É um símbolo de união. Quem não quiser fazer piquenique não tem problema, há vários bares e restaurantes no caminho. Mas prepare o bolso porque os preços são mais altos.

Fizemos três vilarejos pela trilha: Riomaggiore, Manarola e Corniglia, dá 2km, muito perto uma da outra. O último trecho é mais cansativo e dura mais, mas dá pra fazer tranquilamente. O pior é de Vernazza para Monterosso, a subida é muito sinistra.

O visual é de ficar de boca aberta. A cor da água estava um azul esverdeado que podíamos ver os cardumes de peixe do alto. Não há palavras para descrever...

Em Corniglia pegamos um trem até Monterosso Al Mare, o último vilarejo. Levou apenas 5 minutos. Lá o mar é azul turquesa que nunca vi igual. Quem já foi para o Caribe pode ter uma ideia do que estou falando.

Fomos à praia! Não tem areia como nós aqui no Brasil, é pedra. A água estava gelada, mas foi um mergulho sensacional. Ficamos lá um tempo admirando a vista, vendo a nata italiana pegando um sol e as maravilhosas lanchas super poderosas passando de um lado para o outro.


Monterosso Al Mare


De lá pegamos um trem para Vernazza, formando as cinco terras (um vilarejo antes de Monterosso). Esta é a mais famosa e a mais charmosa também. Tem uma pequena marina onde todo mundo fica bebendo nos bares e pegando um sol. Ficamos horas e horas lá...

Vernazza

Em Vernazza tem várias lojinhas de souvenir e de comidinhas gostosinhas. É encantador e ainda pouco explorado pelos turistas, há poucas referências nas livrarias. Tem muito francês, italiano e espanhol, os mas próximos de Cinque Terre.

De Vernazza pegamos o trem para La Spezia Centrale e de lá para Florença com parada e troca de trem em Sarzanna. Chegando em Florença fomos andando até a Ponte alla Carraia. Atrás dessa ponte achamos um restaurante tipicamente italiano, do jeito que a gente queria, chamado Trattoria Angiolino, na Via Santo Spirito. Essas duas ruas têm vários restaurantes que só italianos vão, não se vê praticamente turistas.

Queríamos exatamente isso. Sabe aquelas toalhas quadriculadas, pessoas falando alto, um clima aconchegante, uma ótima comida e um bom vinho? Econtramos lá. Comemos um Rigattone al Carbonara e um Rivioli al Aspargos frescos com um belo Chianti Classico. De entrada uma típica brusquetta. O jantar saiu por 65 euros para 2 pessoas. Fechamos o dia de forma gloriosa!

11 de jun. de 2009

Explorando Florença


Ponte Vecchio
 O caminho do hotel para qualquer outro lugar era sempre a Ponte Vecchio. Aliás, essa é uma ótima localização. Hotéis nesta proximidade são mais caros do que os ao lado da Estação de Trem.

As vias Nazionale e Fiume tem hotéis mais baratos, no entanto, estão um pouco distantes dos principais pontos turísticos. O Hotel Annalena que ficamos é super em conta e bem localizado. Há outros nesta região mais luxuosos, se este for o caso.

Fomos direto para a Galleria degli Uffisi (terça a domingo, 8h15 às 18h50 - € 6,50), local obrigatório para quem vai a Florença. Lá é onde está uma das coleções mais importantes de arte italiana. É o mais significativo museu sobre a Renascença, legado da família Médici. Inclui pinturas dos séculos 13 ao 18 e obras de Giotto, Botticelli, Caravaggio, Michelangelo, e Leonardo da Vinci, com a famosa obra L'Annunciazione. Agora, tem que ter paciência. Ficamos na fila quase 1h! Você pode reservar antes pela internet com 24 horas de antecedência e passar na frente de todo mundo.

Saindo de lá, seguimos pela Lungarno Gonerale Diaz, na margem do Rio Arno, entramos na Piazza dei Cavalleggeri até a Basilica di Santa Croce, onde estão sepultados Michelangelo, Maquiavel e Galileo. Para entrar e avistar seus túmulos paga-se € 4. Na Borgo Santa Croce, uma rua em frente a Basílica, encontramos duas brasileiras vendendo pashiminas. Elas nos indicaram a ir a Cinque Terre. Ainda estávamos na dúvida de ir, mas elas nos falaram que o lugar é tão lindo que decidimos ir mesmo, no dia seguinte. O tempo não estava muito firme, mas íamos tentar mesmo assim, seguindo os conselhos de Martinha e Fiolo.

Piazalle Michelangelo
Voltamos à margem do Rio Arno, atravessamos a Ponte alle Grazie até a Piazza G. Poggi para chegar a Piazalle Michelangelo, onde se tem uma das vistas mais bonitas de Florença. Dá para ir de ônibus n. 13 a partir da estação, se preferir. Aliás, falando em ônibus, em Florença não se paga ao motorista, como em Paris. Os bilhetes devem ser comprados antes nas bancas de jornal ou tabacarias. Como não sabíamos, pegamos ônibus duas vezes sem pagar nada. E ninguém faz conferência, mas se um fiscal entrar e você não tiver o bilhete, está lascado. Multa de até € 100! E direto no cartão de crédito! Eles andam com máquinas de débito e crédito. Imagina isso no Brasil! Eu achei ótima a idéia.

Bem, voltando a Piazalle Michelangelo, é uma subida e tanto. Para os mais velhos e crianças pequenas não dá. Pegue um táxi que é melhor. A vista é realmente fantástica. Nós gostamos sempre de ir até o ponto mais alto de cada cidade que visitamos para poder vê-la totalmente. É lindo. Esta é uma parte antiga de Florença e mostra as muralhas que protegiam a cidade dos inimigos.


Santa Maria Del Fiore
 Na volta pegamos o mesmo caminho até a Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Essa catedral é impactante. Ela é enorme, toma todo um quarteirão. E muito bonita, toda em mármore branco, verde e rosa. Atenção, não entra de short, vestido curto e nem roupa decotada. A catedral, que demorou 150 anos para ser construída, tem vitrais de Donatello. A entrada é gratuita, mas paga € 6 quem quiser subir seus 463 degraus para ver a vista lá de cima. Por dentro é tão linda quanto por fora. Nos sentimos pequenininhos diante de tanta grandiosidade. Muito linda.

Bem em frente, na Piazza San Giovanni fica o Battistero de San Giovanni, dedicado ao patrono da cidade, São João. É a uma das construções mais antigas de Florença, entre os séculos 5 e 9.


Davi, de Michelangelo
 Seguimos para a Galleria dell'Accademia (€ 6,50), onde está o que mais queríamos ver: Davi de Michelangelo. Realmente, o monumento é incrível. Não imaginava ser tão grande. Os traços, os detalhes são magníficos. Ficam todos de boca aberta admirando tamanha beleza. Tem até um quadro na saída do museu retratando exatamente este momento. Ficamos um tempão lá, sentados, admirando a mais perfeita escultura de Michelangelo. Tiramos esta foto ao lado escondidos, mas não podíamos sair sem registrar esta preciosidade, vai!
Lá também tem outras diversas obras de Michelangelo, algumas inacabadas.

Voltamos pela Via Cavour, passando pelo Palazzo Medici Riccardi, pela Basilica di San Lorenzo, de Michelaneglo, Via dei Calzaiuodi até a Piazza della Signoria, onde sentamos nas escadas do Palazzo Vecchio e ficamos escutando os músicos de rua tocando Pavarotti.

Despedida de Veneza... rumo a Florença


 Nosso trem partia de tarde de Veneza para Florença (mudamos a passagem de 18h para 14h43). A diária do hotel terminava cedo e já tínhamos conhecido muita coisa de Veneza, queríamos chegar de dia ainda em Florença.

Para vocês não acharem que é só isso para ver em Veneza, não, não é. Fomos nos pontos principais e tínhamos apenas uma diária de hotel. Se ela terminasse mais tarde, certamente ainda teriam muitas outras coisas para ver. Tem várias ilhotas ao redor que são lindas, mas só conhecemos do Vaporetto (tipo um ônibus das águas, com várias linhas distintas).


Famosa Piazza San Marco
 Aproveitamos a manhã para ir na Basília São Marco, onde ele está lá sepultado. Esta construção é uma das mais grandiosas da Europa. A entrada é gratuita.

Para chegar perto do túmulo de São Marco e do Pala D'Oro, altar todo coberto de ouro, rubis e esmeraldas paga-se 2 euros e para subir e ver uma bela vista da praça e do Canal Grande, mais 4 euros.

E não pode entrar com mochila, nem casacos grandes. Tem que gardá-los próximo da Basílica. Ah! Também não pode entrar com short, vestidos curtos e decotes.

Em frente fica o Campanário (para subir 4 euros), de onde dá para ter uma vista de toda Veneza.

É na Piazza São Marco que ficam aqueles pombos, símbolos de Veneza. É um nojo as pessoas pegarem esses bichos na mão. Eles sobem na sua cabeça, nos braços, eca. Mas tem que tirar uma foto, né? Neste dia, tinham milhares de turistas, a cidade estava lotada, era fim de semana.

Fomos passear pelo Canal Grande (alguém lembra de Cassino Royale?). Passamos pela Ponte della Paglia, de onde se vê a Ponte Rialto, famosa como "Ponte do Suspiro" que de romântica não tem nada. Chamava-se assim por ser a última vista que os prisioneiros tinham antes de ir para a masmorra (lá era uma antiga prisão), que fazia ligação com o Palazzo Ducale, ao lado da Basília São Marco. Ela estava em obras e colocaram uma propaganda péssima, cobrindo quase toda a arquitetura. Era da loja Sisley (do grupo Benetton), famosa na Itália e que está patrocinando a restauração.

Depois pegamos as malas no hotel e fomos para a Estação Santa Lúcia, pegando o Vaporetto n. 2 e pagando 6,70 euros cada um. Compramos uma garrafinha pequena de Bellini para nos despedirmos e lá fomos nós. Tem que ter atenção para o número da carroza (vagão). Nós sentamos no assento correto, mas na carroza errada. Resumo da história, no meio da viagem, em Bologna, tivemos que mudar do vagão 2 para o 9 e com toda a nossa bagagem... marinheiros de primeira viagem...

Colocando o pé em Florença já dá para sentir a loucura, no bom sentido, da Itália. Veneza é pequeno e não tem carro. Mas Florença é uma "zona" de carros, bicicletas e uma infinidade de motos. Todos andam juntos no mesmo lugar, falam alto um com o outro... muito engraçado!

Pegamos um táxi da Estação Santa Maria Novella até o Hotel Annalena, na Via Romana n. 34, perto da Ponte Vecchio, a mais famosa sobre o rio Arno e a única que sobrou depois da II Guerra Mundial. Pagamos 10 euros contando com as malas.


Rio Arno

Quando entramos levei um susto. Era um prédio que também era residencial. Um lugar frio, velho, com cheiro de mofo e três enormes lances de escada. Falei pro Eduardo que queria sair de lá correndo e ir para outro hotel. Mas ele insistiu para subirmos antes e vermos como era. Realmente, quando passamos pela porta da recepção tudo mudou. O hotel é realmente velho, mas bem decorado, aconchegante e com funcionários simpáticos.

Ficamos, lógico. Nosso quarto era ótimo, tinha um jardim de inverno e uma cama muito macia. Só a TV que não funcionou nenhum dia. Mas tudo bem, acabamos nem sentindo falta. O hotel funciona também como albergue. Tinham quartos com banheiros comunitários.

Já era fim do dia e fomos passear pela Ponte Vecchio, onde hoje tem um monte lojinhas e artistas cantando e desenhando. Aliás, essa é a melhor hora. A luz do pôr do sol deixa ainda mais linda a paisagem.

Passamos pelo Palazzo Pitti (quase em frente ao nosso hotel), que abriga um complexo de museus até a Plaza della Republica, cercada pelas ruas Via de Tornabuori, Roma, Campidoglio, Calimala e Calzaiuoli, cheia de lojas bacanas.

Mas quem quer comprar produtos de grife baratos tem que conhecer o Valdichiana Outlet Village, pegando a autostrada A1 saída Valdichiana, mais perto de Siena. Não fomos lá porque estávamos sem carro. Dizem que vale a pena. Tem outro chamado The Mall, também fora de Florença. Nos Centros de Informações ao Turista pode-se saber horários de mini ônibus que levam até este último centro.

Voltamos pela Piazza della Signoria, onde fica o Palazzo Vecchio, antiga residência da família Médicis e hoje sede do Governo de Florença. Nesta praça ficam várias réplicas de esculturas lindíssimas, como esta da foto. Florença é um museu a céu aberto. Para todos os lados tem arte.