2 de jun. de 2009

Despedida de Paris


Saint-Chapelle
 O dia hoje amanheceu chuvoso, mas bem mais quente do que ontem. Estava 23 graus. Fomos até a Île de la Cité pela Bd. Saint Michel para conhecer a Saint-Chapelle, uma igreja gótica construída em 1245 a pedido do rei Luís IX para abrigar as relíquias sagradas, uma delas a coroa de espinhos de Cristo.

Ficamos na fila por quase meia hora e pagamos 8 euros cada para chegar lá e nada! Todas as relíquias sagradas, inclusive a suposta coroa estão guardadas a sete chaves em Notre Dame, ao contrário de todos os livros turísticos que tinha de Paris.

Tudo bem, a igreja é linda pelas mais de mil figuras nos enormes vitrais retratando cenas do Velho e Novo Testamento, mas não valeu gastar tempo e dinheiro para isso.

Seguimos pela Ponte Neuf, a mais antiga e famosa ponte de Paris. Vários filmes de romance usaram esta ponte como símbolo da paixão. Mas ela não tem nada demais. Fomos margeando o Sena até chegar no Museu D'Orsay (€ 8,oo - não abre nas segundas). Estava tendo uma exposição de Rodin. Nós não entramos no museu dele, mas todas as grandes e principais obras estavam lá. Que máximo!


Museu D'Orsay
 O D'Orsay realmente é um escândalo. É um museu impressionista, talvez o maior do mundo. Você chega a cansar de ver tanto Monet, Renoir, Van Gogh, Matisse, Cézanne, Gauguin... é incrível você estar tão perto de obras tão importantes e valiosas. E pode tirar foto de tudo. Muuito bom passeio.

De lá fomos andando até Montparnasse. Este é um bairro bem bacana, tem muita coisa pra ver. Lá que fica o Catacombes, onde as pessoas descem até o esgoto para ver as caveiras de pessoas que morreram e foram jogadas lá, prática usada quando os cemitérios foram demolidos, no período de 1786 a 1814. Eu não gosto dessas coisas e por isso nem passei perto. Mas é uma atração. Vai entender...

Lá também tem o Observatoire de Paris, o mais antigo observatório astronômico do mundo, de 1667. Mas tem que reservar antes, as visitas acontecem somente um sábado por mês (http://www.obspm.fr/).

Ficamos andando pela redondeza do Tour Montparnasse, o prédio mais alto da França, com 210 metros. Ali perto tomamos um sorvete de pistache com chocolate refrescante, o calor tinha voltado e o sol aparecendo. Maravilha!

Quem estiver procurando pontas de estoque o endereço é Rue D'Alésia. Lá tem várias pequenas lojas com produtos de marcas francesas a preços bem em conta.


Despedida de Paris...

Depois de ficar zanzando por lá, fomos passar o fim do dia (8h30 da noite!) no Jardim de Luxemburgo (foto ao lado).

Tão gostoso... um monte de gente lá lendo livro, conversando... vendo a vida passar e curtindo o solzinho maravilhoso. Ficamos lá de bobeira e depois fomos para o hotel fazer as malas.
Au revoir, Paris! Amanhã estaremos em Veneza.

Coisas que não se pode deixar de fazer em Paris:
. Visitar o Louvre, Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame (repare que um dos santos ou bispos da fachada, não sei, está segurando a própria cabeça, sinistro...) e Versailles
. Comer e beber somente produtos nacionais (hahahaha)
. Compras: Galeries Lafayette, Printemps e Sephora (cosméticos)
. Conhecer o D'Orsay e George Pompidou
. Ficar sem fazer nada no Jardim de Luxemburgo
. Tirar uma foto na Champs-Élyées
. Ficar num desses cafés, sentado, olhando a vida dos parisienses
. Dizem que o chocolate Angelina é o melhor, mas experimentei vários tão bons quanto. Experimente tudo!
. Ande, ande, ande. Tudo é muito perto e plano. A beleza da cidade vale a pena.

Outras dicas:
. Cartão de crédito com chip
. Compra de ingressos para museus, utilize as máquinas com seu cartão de crédito com chip
. Leve um umidificador nasal, o clima é mais seco do que o nosso (Rio)
. Guarde sempre os bilhetes de metrô e trem, e não esqueça de validá-los antes de embarcar nas máquinas amarelas espalhadas pela estação

Um dia de aventura em Montmartre

Dia chuvoso em Paris
Hoje o dia amanheceu chuvoso, um frio! Estava fazendo 12 graus de manhã. Fomos para Marais, no Centre George Pompidou (€ 12 - 11h às 21h; abre as segundas, raridade nos outros museus, mas fecha nas terças e no primeiro domingo do mês a visita é gratuita). Pegamos um ônibus na Bd. Saint Michel até o ponto Halley George Pompidou, mas o ponto certo é o seguinte, Centre George Pompidou.

Ok, entramos na Rue Rambutreau até o museu. Foi rápido e ainda deu para passar nas lojinhas, além do Les Halles, o mercado municipal, hoje um centro de compras, quase um shopping center. Marais é mais barato do que do outro lado do Sena.

O centro tem o segundo museu de arte moderna mais importante do mundo (se alguém souber qual é o primeiro me fale. Pelo que estava lá era o Metropolitan de NY, mas tenho dúvidas). O impacto começa pela sua estrutura toda de vidro, aço e plástico, aí você entra e começa aqueles quadros maravilhosos de Picasso, Matisse, Miró, Dalí... e do último andar a vista é linda de Paris. Aliás, conforme você sobe as escadas rolantes já vai imaginando como é do último andar.

Neste dia estava tendo uma exposição de Kandisky, que eu adoro. Minha mãe tem a cópia de um quadro que eu amo e ele estava lá, o real, foi muito legal!


Voltamos pela mesma rua e nos deparamos com uma loja alucinante de doces, a Pain de Sucre (Rue Rambuteau, n. 14 - foto ao lado). Primeiro a forma como eles apresentaram os doces; parecem jóias. Depois o aroma da loja, a simpatia do funcionário e por fim o maravilhoso sabor de um mil folhas de chocolate... nossa, dá água na boca só de lembrar! É uma massa levíssima e um chocolate que derrete na boca. É para ser degustado, aos poucos, saboreando cada mordida. Nossa, queria um monte desses agora!

Depois deste momento chocolate continuamos para desgastar os quilos adquiridos. Esta rua tem um monte de lojas legais, não só de lembrancinhas, mas de compras de sapatos e roupas.

Em Marais tem o museu de Picasso, mas como já tínhamos ido a um em Barcelona, achamos que era demais ir em outro. Dizem que este é o acervo mais importante dele em diversidade. Bem, passamos pelo Hôtel de Soubise, pelo museu Carnavalet e chegamos na Place des Vosges, uma praça cercada por casarões que compõem a antiga Place Royale, da época do reinado de Henrique IV. Lá morou Victor Hugo (casa 6) e hoje é um museu. Paramos lá para degustar nosso vinho Chinon (do Vale do Loire) e nossos maravilhosos queijos brie, camembert e caprice des dieux. Hummm...

Continuamos andando até a Place de la Bastille, praça símbolo da Revolução Francesa. Antigamente lá tinha uma prisão (século 14), que foi destruída e em seu lugar erguido um obelisco em homenagem às vítimas da Trois Glorieuses, uma revolução que durou 3 dias, em 1830. Bem em frente fica o Opéra e ao lado tinha uma feirinha de artesanato e roupas, que eu adoro.

Tem mais coisa pra ver nesta região, mas que não nos interessou muito, preferimos pegar o metrô linha 5 até Montmartre para conhecer Sacré-Coeur. Chegando na estação, soubemos que havia acabado de ocorrer um acidente grave entre a estação de Anvers e Charles de Gaulle Étoile e por isso teríamos que parar uma estação antes, em Barbés. Minha dica é: se parar nesta estação pegue um táxi para Sacre-Coeur ou dê meia volta e ache outro meio para te levar até lá.

Nós saltamos em Barbés. Primeiro passamos por toda a periferia de Paris. Foi interessante conhecer este outro lado. Uma grande metrópole como outra qualquer, com suas mazelas e dificuldades, além de beleza e glamour. Confesso que naquele momento não me senti confortável.

Tivemos que passar por "corredor polonês", com vários homens vendendo tudo que se possa imaginar de forma assustada, como se a polícia fosse chegar a qualquer momento, sabe? Foi um pouco assustador. Nós que moramos numa cidade com violência já pensamos no pior... Mas seguimos andando e numa esquina vimos duas crianças brincando de atirar uma na outra. Por sorte era uma arma de brinquedo, mas de longe podia jurar que era de verdade.

Subimos a Rue Myrha, atravessamos a Rue de Glignacourt e entramos na Rue Muller, onde paramos para um café. Estávamos no pé da enorme escadaria que nos levaria a Sacre-Coeur. Este caminho é sinistro, muita ladeira e os arredores, nem precisa dizer mais, né?


Sacre-Coeur

Quando chegamos lá, em Sacre-Coeur (foto acima), tudo mudou. O lugar é lindo, Montmartre é lindo. Dá para ver toda Paris, uma das mais bonitas vistas. E para variar chegamos na hora de quê? Da missa, lógico. Dessa vez só de freiras cantando. Lindo, nunca tinha visto. Depois fomos andar por Montmartre. As ruas Chev de Labarre e Corcot tem várias lojinhas lindas. Lá compramos um soldado medieval médio. Eduardo ama. Ele é lindo. Na rua Norvins só tem bares e restaurantes.


Na volta descemos as escadarias, mas dá para descer (e subir) de funicular (bondinho, paga € 5), se quiser. Mas descer todo santo ajuda e lá fomos nós. No fim da escadaria tem uma escola com um placa sinistra, dizendo que aquele local foi bombadeado na Segunda Guerra, matando vários inocentes, inclusive crianças.


Lá embaixo paramos num café para tomar um vinho e comer alguns queijos. O cenário era Sacre-Coeur na nossa frente. Aliás, estávamos nos especializando em comer com belas vistas, ha ha. Foi ótimo. Para ter uma idéia como a redondeza é mais barra pesada, um cara passou e surrupiou os óculos escuros de um francês que estava sentado numa mesa próxima a nossa. Foi a maior confusão. Mas o francês recuperou os óculos, depois de ir atrás do cara. Lá tem que ter mais cuidado com bolsa e câmeras e nunca deixá-los sobre as mesas ou cadeiras.

Descemos pela Rue Turgot até Anvers, por onde deveríamos ter chegado. Muito mais tranquilo e seguro. Lá pegamos um ônibus, seguindo a orientação do cara do bar da Rue Muller.

Mas nos demos mal, fomos parar lá em Clichy, um distrito fora de Paris, longe pra caramba. Pelo menos por esse caminho passamos em frente ao Moulin Rouge (foto ao lado) que eu queria conhecer. A Boulervard Clichy, em Pigalle, tem um trecho que é só de lojas tipo sex shop e casas noturnas tipo Moulin Rouge.


Quando vimos que estávamos nos distanciando de Paris, saltamos do ônibus. Aí começou a trapalhada. Nos perdermos e não tinha uma alma viva para nos ajudar. Estávamos perto da ponte de Clichy e o lugar estava deserto.

Estava anoitecendo (por volta de 21h) e nenhum táxi ou alguém para nos informar. Eu não achava no mapa onde estávamos, não tinha mais essa região aparecendo. Resolvemos andar, atravessar o rio que achávamos ser o Sena, mas era o Seine. Estávamos mais perto de La Defense, uma parte de empresas e fábricas de Paris, com prédios mais novos, totalmente diferente das construções do centro.

Finalmente surgiu um táxi. O único lugar que veio a mente foi o Opéra Garnier, porque achávamos que estávamos perto da Bd. Haussmann. Nossa, entramos na Bd. Malesherbes que não acabava nunca e nada nos era familiar. Eu nervosa e o Eduardo calmíssimo. Só fiquei tranquila quando vi o Opéra, que aliás estava lindo de noite, todo iluminado, ainda não o tínhamos visto a noite.


Foi uma aventura, mas viagem que não tem algo inusitado não tem graça. Descemos a pé a Avenue de L'Opéra e quando chegamos na esquina do Louvre vimos a iluminação pisca-pisca da Torre Eiffel que não tínhamos visto (durante a semana é às 22h e dura exatos 5 minutos).

Estávamos dentro dela quando teve no outro dia. Sentamos no meio-feio da rua e ficamos lá admirando a beleza da Torre. O Louvre e a Torre Eiffel lindos, acesos. Essa foi para relaxar depois desta volta louca. Foi ótimo!

Quem for para Sacre-Coeur ou desce na Anvers e na volta pega o mesmo metrô (Anvers) ou se informa no Centro de Informações Turísticas e se junte ao ônibus de excursão que leva até lá. Senão, é roubada.

1 de jun. de 2009

Versailles é fantástico


Hoje (10/05) foi a despedida do Claudio e Sônia, que seguiram para Londres. Poxa, estava tão boa a companhia... Rimos e nos divertimos muuuito! Valeu!!


Panthéon

Fomos conhecer o Panthéon, ao lado do nosso hotel! A entrada no segundo domingo do mês é gratuita, nos outros dias custa € 8 (agora não me recordo bem, mas é por aí).


Este lugar foi idealizado para ser uma igreja, mas tornou-se um panteão (onde ficam os restos mortais de ilustres ou daqueles que prestaram grandes serviços a humanidade) formalmente em 1885.


Lá estão os túmulos de Victor Hugo, Voltaire, Braille, Rousseau e muitos outros. Pra variar é enorme, lindo. Tem um relógio de Da Vinci, que marca a hora pela posição do sol. Interessante.


Descemos pela Saint-Jacques até Notre Dame. Novamente chegamos bem na hora da missa, a qual assistimos até o fim. Para nós (Eduardo e eu) é muito importante esses momentos e aproveitamos para agradecer sempre tudo o que estamos vivendo.

Notre-Dame

De lá pegamos o metrô na estação de Saint Michel Notre Dame (€ 2,90) até Versailles-Rive Gauche (linha C. Cada trem tem um nome e a direção Versailles aparece na tela de TV da plataforma). A viagem leva cerca de 30 minutos e o passeio pelo palácio mais ou menos 2 horas, sem contar com os jardins.

 

Jardim de Versailles
Nós não tínhamos nos programado para ir ao Palácio de Versailles (€ 10,00 depois de 15h30 e gratuita pelos jardins - 9h às 18h30), já que fomos ao Vale do Loire, mas ainda bem que fomos.

O palácio é lindo, majestoso, rico. Os jardins são incríveis, você não vê o final e o palácio é totalmente decorado, parece que você está vivendo naquela época.

Nós pegamos um audio guia em português (de Portugal) já incluso no valor de entrada. Foi ótimo porque fomos conhecendo a história de cada cômodo e juntando com a história que já tínhamos vivido em outros locais. Por exemplo: conhecemos como Maria Antonieta fugiu antes de ser capturada e decapitada na Place de la Concorde e vimos o quadro original da coroação do imperador Bonaparte (a cópia vimos no Louvre).


Sala dos Espelhos

E a Sala dos Espelhos? Nossa, que coisa enorme e linda. Lá que foi assinado o Tratado de Versailles, que deu fim a Primeira Guerra Mundial. Como os fraceses dizem, Versailles era a Disney de Luís XIV, o Rei Sol. Foi um passeio não planejado muito bem feito. Adoramos!


Na volta paramos na mesma estação e fomos caminhando pela Saint Michel, passando pela fonte Saint-Séverin, na Rue de La Harpe e pelo Thermes et hôtel de Cluny. Lá tem umas ruínas romanas do século 1, onde fica o museu da Idade Média.

 Domingo praticamente tudo fecha e o bom está em Marais. Todas as lojas, cafés e restaurantes funcionam lá. Mas como estava chuvoso em Paris, resolvemos aproveitar para recarregar a bateria. Jantamos na Saint German e fomos para o hotel. Afinal, uma viagem de 20 dias...temos que conter a curiosidade e descansar, senão não conseguiremos aproveitar até o final.