30 de jun. de 2009

Siena - a cidade medieval

Partimos de Florença cedo e fomos direto para a estação Santa Maria Novella, de onde pegamos o trem para Siena (6,10 euros). Esta viagem cruza a Toscana pela rota da La Chiantigiana, região dos vinhos Chianti, Brunello, Montalcino (cidade depois de Siena, no caminho para Roma) e o Supertoscano. A viagem durou 1h22, super rápida e confortável.

Esta época (maio) é linda a Europa. Mas quem é alérgico sofre de tanta semente no ar e com o clima seco. Sentimos muito a falta de lubrificação no nariz (compramos um spray chamado Sterimar para umedece) e sede. Garrifinha de água sempre na bolsa. Acho que já escrevi isso em alguma outra postagem...

Viajamos com notebook, que foi ótimo, porque víamos sempre os horários dos trens, baixamos fotos e ficamos falando com amigos e familiares pelo skype. O problema são as tomadas, a que levamos não dava em todos os hotéis. Mas não teve problema, geralmente a recepção fornece uma.

Voltando a Siena. É uma cidade encantadora. Li no livro a frase que me fez querer conhecer Siena: "Nenhuma cidade na Toscana pode ganhar definitivamente a preferência enquanto a pequena e medieval Siena ainda não for conhecida". Não precisa dizer mais nada, né?

A grande atração da cidade é a Piazza del Campo (primeira foto acima), em formato de um leque, famosa por receber em apenas 2 dias do ano cerca de 60 mil pessoas para o Palio, a corrida em cavalos mais antiga do mundo. Para quem não quer tumulto, fuja das datas de 2 de julho e 16 de agosto.

A Piazza Del Campo é uma das maiores praças medievais da Europa. Esse local fica no coração das 17 contrade (paróquias) da cidade. A velha rivalidade entre elas é simbolizada pela corrida à cavalo, o Palio, a mais celebrada festa da Toscana, tendo seu primeiro registro em 1283, mas que talvez tenha sido originada em treinamentos militares romanos. As corridas duram apenas 90 segundos e o vendedor ganha um palio (estandarte) de seda.

Ficamos num hotel ótimo, o Bed & Breakfast Camollia, também reservado pelo Booking. Ele fica num ponto estratégico, em frente ao portal Camollia, o principal da cidade. Para explicar, a parte medieval de Siena é cercada por uma grande muralha que possui várias entradas.

Pelo mapa dava para ir a pé, só que a estação é literalmente embaixo da cidade, ou seja, impossível, tem que pegar um táxi.

Eu, sinceramente, achei Siena muito mais bonita do que Florença. Lógico que não estou contando com o enorme choque de cultura e arte. Falo de beleza mesmo. É incrível a preservação da cidade. O chão é formado por aquelas pedras enormes medievais, nas paredes das casas ainda há espaços para tochas e lampiões, além de suportes para amarrar os cavalos (veja na foto acima a dimensão da porta!). É uma viagem ao tempo, dá para sentir a energia do lugar. Como a cidade é mínima, nem precisa de mapa e dá para conhecer tudo a pé.

Fomos andando até a Piazza Del Mercato (vista da piazza na foto acima), onde estava tendo uma feira enorme de antiguidades. Em frente tem um restaurante chamado Papi (foto abaixo) onde paramos para almoçar. Uma das cozinheiras é brasileira, a Cristina.


Foi um almoço esplêndido. Comemos gnhochi pomodoro e um spaghetti al bolognesa com vinho branco da casa e de sobremesa, Torta de La Nona, típica na Itália. O café que deixa a desejar no tamanho. É que para manter o aroma e sabor não se deve tomar em xícaras grandes, mas eu, como gosto muito, aquele pouquinho não me satisfez.

Depois, para digestão, um "vinho doce" oferecido gentilmente pelo garçom depois que soube que éramos brasileiros. Esse licor nos derrubou. Ficamos alegres, alegres!

Ficamos passeando pela cidade. Paramos na Piazza del Campo, onde antes era o Fórum Romano, e ficamos sentados admirando o Palácio Público, onde funciona o Museu Cívico. O campanário é a segunda torre medieval mais alta da Itália, com 102m. À noite é um lugar super gostoso com seus diversos restaurantes em torno.
Seguimos para a Piazza Duomo, onde fica a Basilica di S. Maria d. Servi (foto abaixo), toda de mármore listrado. Em volta da Piazza há vários cafés e lojas super bacanas. Mas é mais próximo da Piazza del Campo que ficam as melhores marcas, como Sisley, Furla, Max Mara, Prada, Gucci...
Tomar sorvete é obrigatório na Itália. Não tem igual o sorvete de chocolate deles. Como é bom!

De noite a cidade fica toda amarelada, com pouca luz e em muitos pontos deserta. Mas um deserto sem ser assustador, sabe? Em algum cantinho você acha um bistrô, uma gelateria e sempre pessoas alegres e sorridentes te recebendo.

Siena não tem calçadas e passam poucos carros. Há uma parte dela, mais nova, onde passa uma auto estrada. Andando por ela fomos parar num parque de diversões. Sabe aqueles de filme, com bonecos e pessoas assustadoras e aquelas máquinas que fazem você ficar mais novo ou mais velho da noite para o dia? Parecia que estávamos num deles. Sinistro...

Foi somente um dia em Siena, mas que valeu muito a pena. Valeu a visita, sem dúvida. A hospedagem foi ótima. Tudo novinho, limpíssimo, com um café da manhã maravilhoso e funcionários muito simpáticos. Adoramos!
Queríamos ter conhecido San Gimignano, a cidade das 13 torres com apenas 7 mil habitantes! Mas infelizmente não deu, essa fica para a próxima.

Cinque Terre


Cinque Terre
A costa que vai de Gênova até a fronteira com a Toscana é chamada de Riviera di Levante, na região da Ligúria. Mar ora azul-turquesa, ora azul-esverdeado de um lado e casinhas coloridas beirando o penhasco do outro. Com águas tão claras é possível ver os cardumes de peixe.

Assim é Cinque Terre, um conjunto de cinco mínimas cidades, ou melhor, vila de pescadores, formadas por Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso dentro do Parco Nazionale delle Cinque Terre.

Não há estrada, somente trem liga essas cinco vilas. O trajeto pode ser conhecido a pé, numa trilha encantadora, de bicicleta ou a cavalo. Mas há trechos que tem que ter disposição, é um sobe e desce...

Agora que deu água na boca vou contar como foi conhecer Cinque Terre, um dos locais mais fantásticos que já conheci.


















Quando fomos para a Itália queríamos conhecer outro lugar além daqueles "obrigatórios", como Florença e Roma. Queríamos algo romântico e encantador e não menos impactante. Estávamos na dúvida se íamos para Capri, conhecer a Gruta Azul ou para Cinque Terre.

O que nos fez decidir foi ver em vários livros de viagens imperdíveis a foto de Cinque Terre na capa, além das duas brasileiras que tínhamos encontrado no dia anterior em Florença.

Cinque Terre está entre os 1000 lugares para conhecer antes de morrer, já viram esse livro? Estávamos tão perto, não podíamos perder esta oportunidade.


A metereologia não estava favorável, mas pelo windguru dava muio sol. E foi exatamente o que aconteceu, fez um sol inacreditável! Chegou a 36 graus, sem uma nuvem no céu. Perfeito!

Pegamos o trem das 9h57 na estação Santa Maria Novella em Florença até La Spezia Centrale, que chegou às 12h19 e custou 18,20 euros. Mais uma vez tivemos uma paisagem linda, passando pelas cidades de Empoli, Signa, Pisa (dá pra ver a torre bem de longe), Forte dei Marmi, Carrara (de onde vem o mármore carrara, as pedreiras são enormes e bem perto da estação), Sarzanna, Vezzano Ligure, La Spezia Miglianina (cuidado para não descer nessa!) e finalmente La Spezia Centrale.

Atenção: se você não leu os textos anteriores, não esqueça de validar o ticket do trem antes do embarque e guardá-lo para verificação do fiscal durante e a viagem. Neste trem não tem lugar marcado.

Na própria estação há um centro de informações onde você deve comprar o passe para entrada no Parque Nacional. Custa 8,50 euros e dá direito a viagens ilimitadas de trem entre os cinco vilarejos ou o trajeto a pé. Sem ele nada feito. Deve ser preenchido com seu nome e guardado, pois em cada "fronteira" é solicitado.


Via Dell'Amore
 A dica é ir com roupas leves, de preferência com roupa de banho por baixo, levar uma pequena toalha, tênis e um lanchinho para uma parada estratégica diante de tão grandiosa paisagem. Nós fizemos um piquenique na primeira e mais linda trilha, a Via Dell'Amore que liga os vilarejos de Riommagiore e Manarola.
No caminho tem uma espécie de altar com vários cadeados em volta por acreditarem que lá é um lugar mágico e o casal que conhece junto esta trilha sela seu amor para sempre. É um símbolo de união. Quem não quiser fazer piquenique não tem problema, há vários bares e restaurantes no caminho. Mas prepare o bolso porque os preços são mais altos.

Fizemos três vilarejos pela trilha: Riomaggiore, Manarola e Corniglia, dá 2km, muito perto uma da outra. O último trecho é mais cansativo e dura mais, mas dá pra fazer tranquilamente. O pior é de Vernazza para Monterosso, a subida é muito sinistra.

O visual é de ficar de boca aberta. A cor da água estava um azul esverdeado que podíamos ver os cardumes de peixe do alto. Não há palavras para descrever...

Em Corniglia pegamos um trem até Monterosso Al Mare, o último vilarejo. Levou apenas 5 minutos. Lá o mar é azul turquesa que nunca vi igual. Quem já foi para o Caribe pode ter uma ideia do que estou falando.

Fomos à praia! Não tem areia como nós aqui no Brasil, é pedra. A água estava gelada, mas foi um mergulho sensacional. Ficamos lá um tempo admirando a vista, vendo a nata italiana pegando um sol e as maravilhosas lanchas super poderosas passando de um lado para o outro.


Monterosso Al Mare


De lá pegamos um trem para Vernazza, formando as cinco terras (um vilarejo antes de Monterosso). Esta é a mais famosa e a mais charmosa também. Tem uma pequena marina onde todo mundo fica bebendo nos bares e pegando um sol. Ficamos horas e horas lá...

Vernazza

Em Vernazza tem várias lojinhas de souvenir e de comidinhas gostosinhas. É encantador e ainda pouco explorado pelos turistas, há poucas referências nas livrarias. Tem muito francês, italiano e espanhol, os mas próximos de Cinque Terre.

De Vernazza pegamos o trem para La Spezia Centrale e de lá para Florença com parada e troca de trem em Sarzanna. Chegando em Florença fomos andando até a Ponte alla Carraia. Atrás dessa ponte achamos um restaurante tipicamente italiano, do jeito que a gente queria, chamado Trattoria Angiolino, na Via Santo Spirito. Essas duas ruas têm vários restaurantes que só italianos vão, não se vê praticamente turistas.

Queríamos exatamente isso. Sabe aquelas toalhas quadriculadas, pessoas falando alto, um clima aconchegante, uma ótima comida e um bom vinho? Econtramos lá. Comemos um Rigattone al Carbonara e um Rivioli al Aspargos frescos com um belo Chianti Classico. De entrada uma típica brusquetta. O jantar saiu por 65 euros para 2 pessoas. Fechamos o dia de forma gloriosa!

11 de jun. de 2009

Explorando Florença


Ponte Vecchio
 O caminho do hotel para qualquer outro lugar era sempre a Ponte Vecchio. Aliás, essa é uma ótima localização. Hotéis nesta proximidade são mais caros do que os ao lado da Estação de Trem.

As vias Nazionale e Fiume tem hotéis mais baratos, no entanto, estão um pouco distantes dos principais pontos turísticos. O Hotel Annalena que ficamos é super em conta e bem localizado. Há outros nesta região mais luxuosos, se este for o caso.

Fomos direto para a Galleria degli Uffisi (terça a domingo, 8h15 às 18h50 - € 6,50), local obrigatório para quem vai a Florença. Lá é onde está uma das coleções mais importantes de arte italiana. É o mais significativo museu sobre a Renascença, legado da família Médici. Inclui pinturas dos séculos 13 ao 18 e obras de Giotto, Botticelli, Caravaggio, Michelangelo, e Leonardo da Vinci, com a famosa obra L'Annunciazione. Agora, tem que ter paciência. Ficamos na fila quase 1h! Você pode reservar antes pela internet com 24 horas de antecedência e passar na frente de todo mundo.

Saindo de lá, seguimos pela Lungarno Gonerale Diaz, na margem do Rio Arno, entramos na Piazza dei Cavalleggeri até a Basilica di Santa Croce, onde estão sepultados Michelangelo, Maquiavel e Galileo. Para entrar e avistar seus túmulos paga-se € 4. Na Borgo Santa Croce, uma rua em frente a Basílica, encontramos duas brasileiras vendendo pashiminas. Elas nos indicaram a ir a Cinque Terre. Ainda estávamos na dúvida de ir, mas elas nos falaram que o lugar é tão lindo que decidimos ir mesmo, no dia seguinte. O tempo não estava muito firme, mas íamos tentar mesmo assim, seguindo os conselhos de Martinha e Fiolo.

Piazalle Michelangelo
Voltamos à margem do Rio Arno, atravessamos a Ponte alle Grazie até a Piazza G. Poggi para chegar a Piazalle Michelangelo, onde se tem uma das vistas mais bonitas de Florença. Dá para ir de ônibus n. 13 a partir da estação, se preferir. Aliás, falando em ônibus, em Florença não se paga ao motorista, como em Paris. Os bilhetes devem ser comprados antes nas bancas de jornal ou tabacarias. Como não sabíamos, pegamos ônibus duas vezes sem pagar nada. E ninguém faz conferência, mas se um fiscal entrar e você não tiver o bilhete, está lascado. Multa de até € 100! E direto no cartão de crédito! Eles andam com máquinas de débito e crédito. Imagina isso no Brasil! Eu achei ótima a idéia.

Bem, voltando a Piazalle Michelangelo, é uma subida e tanto. Para os mais velhos e crianças pequenas não dá. Pegue um táxi que é melhor. A vista é realmente fantástica. Nós gostamos sempre de ir até o ponto mais alto de cada cidade que visitamos para poder vê-la totalmente. É lindo. Esta é uma parte antiga de Florença e mostra as muralhas que protegiam a cidade dos inimigos.


Santa Maria Del Fiore
 Na volta pegamos o mesmo caminho até a Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Essa catedral é impactante. Ela é enorme, toma todo um quarteirão. E muito bonita, toda em mármore branco, verde e rosa. Atenção, não entra de short, vestido curto e nem roupa decotada. A catedral, que demorou 150 anos para ser construída, tem vitrais de Donatello. A entrada é gratuita, mas paga € 6 quem quiser subir seus 463 degraus para ver a vista lá de cima. Por dentro é tão linda quanto por fora. Nos sentimos pequenininhos diante de tanta grandiosidade. Muito linda.

Bem em frente, na Piazza San Giovanni fica o Battistero de San Giovanni, dedicado ao patrono da cidade, São João. É a uma das construções mais antigas de Florença, entre os séculos 5 e 9.


Davi, de Michelangelo
 Seguimos para a Galleria dell'Accademia (€ 6,50), onde está o que mais queríamos ver: Davi de Michelangelo. Realmente, o monumento é incrível. Não imaginava ser tão grande. Os traços, os detalhes são magníficos. Ficam todos de boca aberta admirando tamanha beleza. Tem até um quadro na saída do museu retratando exatamente este momento. Ficamos um tempão lá, sentados, admirando a mais perfeita escultura de Michelangelo. Tiramos esta foto ao lado escondidos, mas não podíamos sair sem registrar esta preciosidade, vai!
Lá também tem outras diversas obras de Michelangelo, algumas inacabadas.

Voltamos pela Via Cavour, passando pelo Palazzo Medici Riccardi, pela Basilica di San Lorenzo, de Michelaneglo, Via dei Calzaiuodi até a Piazza della Signoria, onde sentamos nas escadas do Palazzo Vecchio e ficamos escutando os músicos de rua tocando Pavarotti.